Eneva vai erguer usina termelétrica em Barra dos Coqueiros (SE) com R$ 3,33 bilhões
A UTE Porto de Sergipe III roda a gás natural e deve entrar em operação até outubro de 2028, parte da expansão de R$ 18,2 bi que a Eneva anunciou para o Hub Sergipe.

A Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento (SNTEP) do Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou, em 21 de setembro de 2026, a implantação da Central Geradora Termelétrica (UTE) Porto de Sergipe III, em Barra dos Coqueiros, na Grande Aracaju, segundo a Portaria SNTEP/MME nº 3.224, assinada em 17 de setembro de 2026 e divulgada pelo Atlas Público com base no Diário Oficial da União. O investimento estimado é de R$ 3,33 bilhões, segundo a ficha de dados do projeto habilitado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A usina pertence à SPE Complexo Porto de Sergipe S.A., controlada pela Eneva, e vai operar no regime de Produção Independente de Energia Elétrica.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento | R$ 3.330.024.840,00 (R$ 3,33 bilhões), segundo a ficha de dados da EPE |
| Capacidade instalada | 466.380 kW (cerca de 466,4 MW), em duas unidades de 231.465 kW e uma de 3.450 kW, segundo a Portaria SNTEP/MME nº 3.224 |
| Combustível e ciclo | gás natural, em ciclo Brayton, segundo a mesma portaria |
| Enquadramento tributário | habilitada ao Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura); o anexo da portaria estima R$ 3.048.967.620,00 em bens e serviços sem incidência de PIS/Pasep e Cofins, ante R$ 3.330.024.840,00 com incidência |
| Garantia exigida | R$ 166.501.242,00 de garantia de fiel cumprimento das obrigações, segundo a portaria |
| Prazo de operação | operação comercial da 1ª à 3ª unidade geradora até 1º de outubro de 2028, segundo a autorização do MME |
Contexto
A usina se soma à expansão que a Eneva vem promovendo no chamado Hub Sergipe, o complexo de geração a gás natural que a empresa monta em Barra dos Coqueiros desde que comprou a Centrais Elétricas de Sergipe Participações (Celsepar) da New Fortress Energy e da Ebrasil, em negócio fechado em maio de 2022 por R$ 6,1 bilhões, mais a assunção de R$ 4,1 bilhões em dívida da companhia, segundo o Eixos. A aquisição deu à Eneva 100% da UTE Porto de Sergipe I, de 1,593 GW, descrita então como a maior usina térmica a gás em operação no Brasil, acesso a um terminal de importação de GNL com capacidade de regaseificação de 21 milhões de m³ por dia e os direitos de expansão de um portfólio de 3,2 GW de projetos adjacentes à planta, reunidos na Centrais Elétricas Barra dos Coqueiros (Cebarra), segundo a mesma fonte.
Em 18 de março de 2026, a Eneva venceu 5,06 GW em contratos no leilão de reserva de capacidade promovido pelo governo federal e anunciou um plano de R$ 18,2 bilhões em investimentos, dos quais cerca de R$ 7 bilhões para uma nova usina térmica a gás em Barra dos Coqueiros, com previsão de gerar cerca de 3 mil empregos no pico da obra e quase dobrar a capacidade da empresa no estado, para perto de 2,9 GW, segundo o Movimento Econômico. A reportagem cita dois anos de obra e início de operação em 2028, pela executiva de relações institucionais da Eneva, Regina França. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Ciência e Tecnologia, Valmor Barbosa, disse que o resultado do leilão "confirma a viabilidade de mais uma térmica no estado". A autorização de 21 de setembro de 2026 para a UTE Porto de Sergipe III é uma peça desse plano maior: no mesmo dia, o MME também autorizou as unidades Porto de Sergipe II, de R$ 3,7 bilhões, e Porto de Sergipe V, segundo o Atlas Público, três usinas que devem disputar fornecedor de turbina, caldeiraria e montagem eletromecânica ao mesmo tempo.
O que a obra deve contratar
- Montagem eletromecânica de turbinas a gás. O ciclo Brayton da usina depende da instalação e do comissionamento das turbinas que geram energia a partir da queima do gás natural.
- Tubulação industrial e caldeiraria. A interligação entre o terminal de GNL, o gasoduto e a casa de máquinas da usina exige rede de tubulação de processo e estruturas de caldeiraria.
- Interligação elétrica e subestação. Uma usina de cerca de 466 MW precisa de subestação elevadora e linhas de interligação até o ponto de conexão definido pelo operador do sistema.
- Infraestrutura civil e fundações. Fundações para turbinas, casa de máquinas e tancagem de apoio são etapa anterior à montagem eletromecânica.
- Sistemas de instrumentação e controle. A operação em ciclo Brayton, com três unidades geradoras, demanda automação de processo e sala de controle integrada.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Data ou prazo |
|---|---|
| Leilão de reserva de capacidade que lastreou o investimento do grupo | 18 de março de 2026 |
| Assinatura da Portaria SNTEP/MME nº 3.224 | 17 de setembro de 2026 |
| Publicação da autorização no Diário Oficial da União | 21 de setembro de 2026 |
| Prazo de obra estimado para a nova usina do Hub Sergipe, segundo o Movimento Econômico | cerca de 2 anos |
| Operação comercial das unidades 1 a 3 | até 1º de outubro de 2028 |
Outras novas fábricas em Sergipe
A UTE Porto de Sergipe III entra em uma carteira de obras industriais que já soma outros projetos de energia e infraestrutura no estado, caso do gasoduto do projeto Sergipe Águas Profundas, da Petrobras. Quem fornece montagem eletromecânica, caldeiraria e elétrica para usinas termelétricas a gás natural no Brasil tem nas três novas unidades do Hub Sergipe uma janela concentrada de contratação até 2028; o quadro completo está na carteira de novas fábricas em Sergipe e nas demais obras industriais em andamento no Mapa de obras do Radar Capex.
- Empresa
- Eneva
- Local
- Barra dos Coqueiros, SE
- Valor
- R$ 3,33 bi
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- Operação comercial da 1ª à 3ª unidade geradora prevista até 1º de outubro de 2028, segundo a Portaria SNTEP/MME nº 3.224
- Anunciado em
- 21 de setembro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A autorização pelo MME e o enquadramento no Reidi reduzem o risco de a obra não avançar, já que os dois exigem cronograma físico-financeiro detalhado entregue à Receita Federal e à EPE. A usina se soma a um movimento maior da Eneva no Hub Sergipe, que no leilão de reserva de capacidade de março de 2026 garantiu R$ 18,2 bilhões em investimentos, sinal de que as outras unidades do complexo, Porto de Sergipe II e V, autorizadas no mesmo dia, devem abrir frentes de contratação parecidas nos próximos meses. Para quem monta turbina a gás, caldeiraria e tubulação industrial, a disputa por equipamento e mão de obra especializada tende a se concentrar entre as três usinas ao mesmo tempo, o que pressiona prazo de entrega e eleva o valor dos contratos. A relação da Eneva com fornecedores já habituados ao polo de Barra dos Coqueiros, construída desde a compra da Celse em 2022, tende a pesar na escolha de quem presta serviço nessa nova fase.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem eletromecânica de turbinas a gás
- Tubulação industrial e caldeiraria
- Interligação elétrica e subestação
- Infraestrutura civil e fundações
- Sistemas de instrumentação e controle
Janela: Autorização publicada em 21 de setembro de 2026; a obra segue para a fase de implantação, com operação das três primeiras unidades até outubro de 2028. Fornecedores de montagem de turbinas, caldeiraria e elétrica devem acompanhar os editais da Eneva e da SPE Complexo Porto de Sergipe nos próximos meses.
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- Secretaria do MME autoriza implantação da UTE Porto de Sergipe III, Atlas Público (DOU), 21 de setembro de 2026
- Eneva garante R$ 18,2 bi e anuncia usina de R$ 7 bi em Sergipe, Movimento Econômico, 19 de março de 2026
- Eneva: compra da Celse garante acesso à importação de GNL, Eixos, 1 de junho de 2022
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