Fortescue negocia fábrica de hidrogênio verde de R$ 18 bi no Pecém (CE)
A planta projetada tem 1,2 gigawatt de capacidade de eletrólise e produção de até 500 toneladas de hidrogênio por dia, mas aguarda solução de acesso à rede elétrica negado pelo ONS em 2025.

A mineradora australiana Fortescue mantém um projeto de R$ 18 bilhões para produzir hidrogênio e amônia verdes no Complexo do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, segundo nota da empresa ao jornal O Povo, publicada em 14 de agosto de 2025. A companhia afirmou que a planta cearense "continua em andamento e permanece como parte do portfólio" da Fortescue, mesmo depois de suspender dois projetos semelhantes de hidrogênio verde nos Estados Unidos e na Austrália no mesmo período.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento (lista da ABIHV, citada pelo O Povo em agosto de 2025) | R$ 18 bilhões |
| Investimento (pré-contrato, segundo a Fortescue à Brasil 61 em outubro de 2024 e à Istoé Dinheiro em abril de 2025) | R$ 20 bilhões |
| Capacidade de eletrólise | 1,2 gigawatt |
| Produção diária projetada de hidrogênio verde | cerca de 500 toneladas, segundo a Brasil 61 |
| Decisão final de investimento (FID) | prevista para 2026, conforme o país-gerente da Fortescue no Brasil disse à Istoé Dinheiro em abril de 2025 |
| Autorização de acesso à rede elétrica | negada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em 2025, segundo a empresa |
Os dois valores, R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, aparecem em fontes diferentes e em datas diferentes: o primeiro é da Associação Brasileira de Hidrogênio Verde (Abihv), citado pelo O Povo em agosto de 2025; o segundo é o valor do pré-contrato assinado entre a Fortescue e o governo do Ceará, informado pela própria empresa à Brasil 61 em outubro de 2024 e confirmado à Istoé Dinheiro em abril de 2025. O Radar Capex não encontrou, até a publicação desta matéria, um comunicado da Fortescue que atualize esse número para 2026.
Contexto
O projeto da Fortescue no Pecém avança em etapas desde 2024. Em outubro daquele ano, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou a instalação da planta no Setor 2 da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Complexo do Pecém, segundo a Brasil 61. A aprovação veio menos de duas semanas depois de o governo federal sancionar, em 30 de setembro de 2024, o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono e Investimentos (PHBC), de acordo com a mesma reportagem.
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Quero implantar em 90 dias →Em abril de 2025, Luís Viga, country manager da Fortescue no Brasil, disse a jornalistas, segundo a Istoé Dinheiro, que o acesso à rede elétrica necessário para o projeto havia sido negado pelo ONS. "Hoje a gente consegue resolver ainda, mas vamos ter que andar rápido", afirmou Viga, segundo a reportagem, ao comentar o risco de atraso na decisão final de investimento então prevista para 2026. A Istoé Dinheiro informou ainda que o Ministério de Minas e Energia já havia encomendado estudos para uma expansão da rede de transmissão da ordem de 4 gigawatts na região, mas que o prazo de conclusão apontado era 2032, enquanto os primeiros projetos de hidrogênio verde no Ceará precisariam da energia já em 2029.
Quatro meses depois, em agosto de 2025, o O Povo levantou que a Fortescue havia suspendido dois projetos de hidrogênio verde fora do Brasil: uma planta de 80 megawatts em Gladstone, na Austrália, e outra de 50 megawatts no Arizona, nos Estados Unidos, orçada em cerca de US$ 550 milhões. Segundo a reportagem, a companhia atribuiu as suspensões a mudanças na política energética americana e a uma revisão estratégica do projeto australiano. No mesmo levantamento, a Fortescue informou que o projeto do Pecém era diferente: continuava em andamento e seguia no portfólio da empresa. O Povo descreveu a Fortescue como uma das cinco empresas com pré-contrato assinado com o governo do Ceará que podem anunciar decisão final de investimento em 2026.
O Radar Capex não encontrou, nas buscas realizadas até a publicação desta matéria, nenhuma nota da Fortescue ou do governo do Ceará informando cancelamento, redução de escopo ou nova data para o projeto do Pecém depois de agosto de 2025. Também não há, até aqui, confirmação pública de que o problema de acesso à rede elétrica relatado em abril de 2025 tenha sido resolvido.
O que a obra deve contratar
- Montagem de eletrolisadores e compressores. O coração da planta de 1,2 gigawatt de eletrólise, a etapa que separa hidrogênio da água usando energia renovável.
- Subestação e conexão à rede básica. É justamente o ponto que, segundo a Fortescue, travou o cronograma em 2025: o projeto depende de uma solução de acesso ao sistema elétrico que ainda não foi confirmada publicamente.
- Tubulação e montagem mecânica industrial. Serviço recorrente em plantas químicas de grande porte, para transporte de hidrogênio, amônia e utilidades entre as unidades do complexo.
- Obras civis e fundações na ZPE do Pecém. A implantação aprovada pelo CZPE em 2024 ocupa área no Setor 2 da Zona de Processamento de Exportação, ainda sem obra física iniciada, segundo as fontes consultadas.
- Sistemas de água desmineralizada e utilidades. A eletrólise em grande escala exige água tratada em volume compatível com a capacidade de produção projetada de hidrogênio.
Prazos e próximos passos
| Quando | O que aconteceu ou deve acontecer |
|---|---|
| 30 de setembro de 2024 | Governo federal sanciona o PHBC, programa de incentivo ao hidrogênio de baixa emissão de carbono |
| Outubro de 2024 | CZPE aprova a instalação da planta da Fortescue no Setor 2 da ZPE do Pecém |
| Abril de 2025 | Fortescue relata à imprensa que o ONS negou o acesso à rede elétrica necessário ao projeto |
| Agosto de 2025 | Empresa suspende projetos semelhantes nos EUA e na Austrália, mas reafirma que o do Pecém continua em andamento |
| 2026 | Janela em que a Fortescue dizia, em 2025, que poderia tomar a decisão final de investimento; sem confirmação pública mais recente |
A obra integra o mesmo polo industrial do Complexo do Pecém que já recebeu outros grandes anúncios cobertos pelo investimento na Ferrovia Transnordestina, com ligação direta ao porto. Mais projetos de energia no Ceará estão no mapa de novas fábricas no estado. Veja também o mapa de obras industriais em andamento no Brasil.
- Empresa
- Fortescue
- Local
- São Gonçalo do Amarante (Complexo do Pecém), CE
- Valor
- R$ 18 bi
- Fase
- Anúncio
- Previsão
- Decisão final de investimento (FID) mencionada para 2026 pela empresa em abril de 2025, sem confirmação pública mais recente
- Anunciado em
- 14 de agosto de 2025
O que isso significa para quem vende para a indústria
O projeto segue em fase de pré-contrato, sem decisão final de investimento confirmada: a Fortescue trata o valor de R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões como teto de referência de um projeto que depende de uma solução de acesso à rede elétrica ainda não resolvida publicamente desde abril de 2025. Para fornecedores de montagem eletromecânica, tubulação e obras civis, isso significa que editais de obra física não devem abrir antes de uma confirmação de FID, hoje sem data pública mais recente que agosto de 2025. A manutenção do projeto no Ceará, mesmo com a suspensão de iniciativas semelhantes nos EUA e na Austrália, é sinal de que a empresa trata o Pecém como prioridade entre seus projetos de hidrogênio verde, o que mantém o Ceará como região a monitorar para quem presta serviço de eletrólise, caldeiraria e subestação industrial.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem de eletrolisadores e compressores
- Subestação e conexão à rede básica
- Tubulação e montagem mecânica industrial
- Obras civis e fundações na ZPE do Pecém
- Sistemas de água desmineralizada e utilidades
Janela: Contratação de obra física só deve abrir depois da decisão final de investimento, sem data pública confirmada após agosto de 2025; a Fortescue falava em 2026 como janela possível quando o acesso à rede elétrica estivesse resolvido.
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- Fortescue suspende projetos de H2V nos EUA e na Austrália e mantém do Ceará, O Povo, 14 de agosto de 2025
- Fortescue, após autorização negada, estuda saída para viabilizar hidrogênio verde no Ceará, Istoé Dinheiro, 1 de abril de 2025
- Ceará: Fortescue consegue aval para planta no Porto do Pecém, Brasil 61, 12 de outubro de 2024
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