Justiça mantém ampliação de R$ 487 mi da Sigma Lithium barrada em MG
Capacidade de beneficiamento poderia mais que triplicar, de 1,5 milhão para 5,2 milhões de toneladas por ano, mas a licença segue suspensa desde setembro de 2026.
Resposta rápida
Sigma Lithium: investimento de R$ 486,8 mi (financiamento do BNDES aprovado em 2024; ampliação ainda barrada na Justiça) em Araçuaí e Itinga (MG). Fase atual: licenciamento; previsão: sem data definida. Serviços que a obra tende a contratar: obras civis remanescentes da planta, montagem eletromecânica de planta DMS, pilhas de rejeito a seco e britagem e manuseio de minério.

A ampliação da usina de beneficiamento de lítio da Sigma Lithium em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha (MG), segue suspensa por decisão da Justiça Federal, mesmo depois de a empresa já ter um financiamento de R$ 486,8 milhões aprovado pelo BNDES desde agosto de 2024 para a obra. A mais recente decisão sobre o caso, de 1º de outubro de 2026, restabeleceu três licenças ambientais que permitem à empresa extrair e beneficiar o minério nas condições já existentes, mas manteve suspensa justamente a licença que autorizaria mais que triplicar a capacidade de beneficiamento do minério, segundo o Diário do Comércio e o portal O Fator.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Financiamento aprovado pelo BNDES (2024) | R$ 486,7 milhões (citado também como R$ 486,8 milhões), prazo de 192 meses, segundo o Canal Solar |
| Capex total estimado do projeto | R$ 492,4 milhões, segundo o Diário do Comércio |
| Capacidade de beneficiamento de minério hoje | 1,5 milhão de toneladas por ano, segundo a decisão judicial citada pelo Diário do Comércio |
| Capacidade de beneficiamento com a ampliação | 5,2 milhões de toneladas por ano, mais que o triplo da atual, segundo a mesma decisão |
| Meta de produção de concentrado de lítio da empresa | 330 mil toneladas até o fim de 2027, segundo a Sigma Lithium, que diz não precisar da ampliação para cumprir essa meta |
| Situação da licença de ampliação | suspensa desde setembro de 2026 e mantida suspensa na decisão de 1º de outubro, "até o esclarecimento da controvérsia", segundo a desembargadora federal Mônica Sifuentes |
Contexto
O imbróglio começou em julho de 2026, quando a Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam) embargou o complexo da Sigma em Araçuaí e Itinga depois de uma vistoria de maio identificar irregularidades, entre elas intervenções em cursos d'água sem autorização, segundo a Bloomberg Línea. A empresa foi notificada formalmente em 13 de julho e assinou, em 21 de agosto, um termo de ajustamento de conduta com o governo de Minas Gerais, com gastos estimados pela própria companhia em US$ 1 milhão para as adequações, além de uma multa de US$ 540 mil por infrações entre 2013 e 2022, segundo o portal O Fator. A Feam afirmou que o acordo revogava parcialmente a suspensão e autorizava a retomada das operações nas áreas cobertas pelo termo.
Em 4 de setembro, porém, a Justiça Federal suspendeu novamente os efeitos de todas as licenças ambientais da mineradora e determinou a paralisação total da lavra, atendendo a uma ação sobre a distância entre a mina e o território da Comunidade Quilombola do Baú, segundo o O Fator; uma correção do próprio veículo esclareceu que essa decisão manteve o termo de ajustamento em vigor, mas paralisou as licenças retomadas por meio dele. Em 1º de outubro, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região restabeleceu três das licenças, liberando a extração nas cavas Norte e Sul e no Projeto Pegmatito Barreiro, mas manteve bloqueada a licença de ampliação da usina até que uma perícia defina a distância entre a mina e o território quilombola, e proibiu o governo estadual de emitir novas licenças de ampliação enquanto isso, segundo o Diário do Comércio e o O Fator. A Sigma Lithium afirmou à imprensa que a decisão permite a "retomada plena" de suas operações; o O Fator, ao noticiar a mesma decisão, registrou que ela "não autoriza automaticamente a retomada plena das atividades". As fontes consultadas não trazem fatos posteriores a 6 de outubro de 2026 sobre o caso.
O que a obra deve contratar, quando destravada
- Obras civis remanescentes da planta. O projeto já tinha parte da engenharia civil encaminhada antes da suspensão, segundo a ficha de acompanhamento do Radar Capex, e deve retomar esse pacote assim que a licença for liberada.
- Montagem eletromecânica de planta DMS (separação por densidade). A ampliação do beneficiamento de lítio deve exigir montagem de equipamentos de processamento mineral desse tipo.
- Pilhas de rejeito a seco. O aumento de capacidade de beneficiamento tende a demandar estrutura para disposição de rejeito compatível com o volume maior de minério processado.
- Britagem e manuseio de minério. Triplicar a capacidade de beneficiamento deve exigir reforço nos sistemas de britagem e transporte interno de minério.
- Instalações elétricas. Uma planta de beneficiamento maior deve precisar de reforço de subestação e rede elétrica interna.
Prazos e próximos passos
| Data | Evento |
|---|---|
| Maio de 2026 | vistoria da Feam identifica irregularidades ambientais no complexo |
| Julho de 2026 | Feam embarga o complexo em Araçuaí e Itinga |
| 21 de agosto de 2026 | Sigma assina termo de ajustamento de conduta com o governo de Minas Gerais |
| 4 de setembro de 2026 | Justiça Federal suspende todas as licenças e paralisa a lavra |
| 1º de outubro de 2026 | TRF-6 restabelece três licenças de lavra, mas mantém suspensa a licença de ampliação da usina até perícia sobre a distância da Comunidade Quilombola do Baú |
| Sem data definida | conclusão da perícia e decisão sobre a liberação da ampliação |
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- Empresa
- Sigma Lithium
- Local
- Araçuaí e Itinga, MG
- Valor
- R$ 486,8 mi (financiamento do BNDES aprovado em 2024; ampliação ainda barrada na Justiça)
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- sem data definida; licença de ampliação segue suspensa até perícia sobre a distância da mina ao território da Comunidade Quilombola do Baú
- Anunciado em
- 6 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Para o fornecedor de engenharia e montagem, o sinal mais importante aqui não é o valor do financiamento, já aprovado desde 2024, mas o fato de que a licença específica da ampliação continua bloqueada mesmo depois de a Justiça liberar a retomada da lavra em outubro. Isso separa este projeto dos demais do Mapa: não basta monitorar o financiamento ou o anúncio, é preciso acompanhar o desfecho da perícia sobre a distância da mina ao território quilombola, que é a condição explícita para liberar novas licenças de ampliação. Até lá, qualquer pacote de obra civil ou montagem eletromecânica ligado à expansão tende a ficar parado, o que torna este um projeto para prospecção de médio prazo, não imediata.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Obras civis remanescentes da planta
- Montagem eletromecânica de planta DMS
- Pilhas de rejeito a seco
- Britagem e manuseio de minério
- Instalações elétricas
Janela: Parada até a conclusão da perícia judicial sobre a distância da mina ao território quilombola; sem data definida para a liberação da licença de ampliação.
Perguntas frequentes
Sigma Lithium: quanto será investido em Araçuaí e Itinga (MG)?
Valor do investimento: R$ 486,8 mi (financiamento do BNDES aprovado em 2024; ampliação ainda barrada na Justiça). Fonte: Diário do Comércio.
Sigma Lithium: quando a obra em Araçuaí e Itinga (MG) começa e termina?
Previsão: sem data definida. Fase atual: licenciamento.
Sigma Lithium: quais serviços a obra vai contratar?
Pela análise do Radar Capex, a obra tende a contratar obras civis remanescentes da planta, montagem eletromecânica de planta DMS, pilhas de rejeito a seco e britagem e manuseio de minério.
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- Sigma Lithium retoma operações no Vale do Jequitinhonha, Diário do Comércio, 6 de outubro de 2026
- TRF-6 libera Sigma Lithium a retomar lavra no Jequitinhonha, mas mantém barrada ampliação de usina, O Fator, 1 de outubro de 2026
- Sigma assina TAC com o governo de Minas e diz estar autorizada a retomar operações, O Fator, 21 de agosto de 2026
- Sigma Lithium e Minas Gerais negociam acordo após embargo de operação, Bloomberg Línea, 23 de julho de 2026
- BNDES aprova financiamento de R$ 486,8 milhões para Sigma Lithium, Canal Solar, 30 de agosto de 2024
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