Eneva inicia obras de R$ 6 bilhões para usina e píer de gás no Pecém (CE)
O Hub Ceará reúne as usinas a gás Jandaia II e III (1.147 MW) e o Píer Zero da Marquise para receber uma FSRU; pedra fundamental lançada em 9 de junho, com até 2.200 empregos na obra.

A Eneva e a Diamante Energia começaram, em 9 de junho de 2026, as obras de um complexo de R$ 6 bilhões no Porto do Pecém, no Ceará: duas usinas termelétricas a gás natural e um píer exclusivo para receber gás natural liquefeito (GNL), segundo o jornal O Povo. O projeto, chamado de Hub Ceará, reúne as usinas Jandaia II e III, que somam 1.147 MW de capacidade contratada por 15 anos, de acordo com a Cenário Energia e o Movimento Econômico. As duas usinas venceram o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), realizado em março deste ano.
O projeto em números
| Investimento total | Cerca de R$ 6 bilhões, segundo as três fontes |
| Divisão do investimento | R$ 5,4 bi em montagem eletromecânica e engenharia das usinas + R$ 477 milhões em infraestrutura de gás, segundo a Cenário Energia; o píer aparece separado, com R$ 430 milhões, segundo O Povo e o Movimento Econômico |
| Capacidade das usinas | 1.147 MW contratados (Jandaia II e III), arredondados para 1,2 GW por O Povo |
| Capacidade do terminal de GNL | 14 milhões de m³ por dia, segundo a Cenário Energia e o Movimento Econômico; O Povo cita 18 milhões de m³ por ano para o Píer Zero |
| Empregos no pico da obra | Entre 2.000 (O Povo, Movimento Econômico) e 2.200 (Cenário Energia), diretos e indiretos, com 83% de contratação local |
| Prazo do píer | Fim de 2028 |
| Início de operação das usinas | Entre o 1º semestre (Movimento Econômico) e meados (O Povo) de 2029 |
A obra tem dois contratados já identificados nas fontes: a Marquise Infraestrutura constrói o novo píer, batizado de Píer Zero, para uso exclusivo da Eneva; os pacotes críticos de turbogeradores e equipamentos das usinas já foram contratados antes do início das obras civis, segundo a Cenário Energia, que não identifica o fornecedor.
Contexto
O governador Elmano de Freitas destacou, no anúncio das obras, o retorno dos leilões de energia e defendeu um leilão de linhas de transmissão para apoiar a nova demanda; segundo O Povo, o Ceará tem hoje uma demanda de energia entre 1,5 GW e 1,6 GW, patamar que o Hub Ceará ajuda a reforçar. Marcelo Lopes, diretor executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios da Eneva, chamou o projeto de "extremamente importante" para a companhia e para o desenvolvimento do Nordeste, segundo a Cenário Energia.
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Quero implantar em 90 dias →A Diamante Energia entrou no projeto depois de comprar da Eneva, em março de 2026, a UTE Pecém II, usina a carvão de 365 MW, por R$ 872,3 milhões, segundo o Movimento Econômico. Com a aquisição, a Diamante passou a controlar três usinas no mesmo complexo portuário e se tornou sócia da Eneva nas novas térmicas a gás. O avanço das obras ocorreu dias depois de uma liminar da Justiça Federal do Ceará questionar a homologação do leilão de capacidade de março; o jornal O Povo registrou que a Procuradoria da Aneel informou, no mesmo dia do anúncio das obras, que a condição apontada pela decisão judicial já havia sido cumprida.
O Pecém reforça, com este projeto, sua posição como um dos polos de energia e gás mais movimentados do Nordeste: a própria Eneva já havia erguido ali o terminal e a usina Jandaia I, e negocia com a Fortescue uma fábrica de hidrogênio verde de R$ 18 bilhões no mesmo complexo. O terminal de GNL reativa a função que o porto perdeu em 2023, quando o navio regaseificador da Petrobras deixou o Pecém. Fornecedores que acompanham as novas fábricas no Ceará encontram no Pecém uma concentração pouco comum de obras de energia industrial.
O que a obra deve contratar
- Montagem eletromecânica de turbinas a gás. As duas usinas Jandaia precisam de equipes especializadas em instalação e comissionamento de turbogeradores a gás natural.
- Obras portuárias e estruturas metálicas do píer. O Píer Zero exige cravação de estacas, plataformas e dolphins de atracação para a unidade flutuante de regaseificação.
- Içamento de cargas pesadas. A movimentação de módulos e equipamentos da FSRU e das usinas deve demandar guindastes de grande porte.
- Isolamento criogênico de tubulações. A linha que leva o gás regaseificado até as usinas opera em baixa temperatura e exige isolamento específico.
- Inspeção NR13 e ensaios não destrutivos. Vasos de pressão, tubulações de gás e caldeiras das usinas exigem inspeção periódica regulamentada.
Prazos e próximos passos
| 9 de junho de 2026 | Pedra fundamental e início das obras civis do Hub Ceará |
| Já concluído | Contratação dos pacotes críticos de turbogeradores e equipamentos, segundo a Cenário Energia |
| Fim de 2028 | Conclusão prevista do Píer Zero |
| 1º semestre a meados de 2029 | Início de operação comercial das usinas Jandaia II e III |
Outras novas fábricas no Ceará
O Pecém também negocia a chegada da Fortescue, que avalia uma fábrica de hidrogênio verde de R$ 18 bilhões no mesmo complexo portuário. Veja outras obras industriais no Ceará e acompanhe as novas fábricas de química e petróleo no Brasil no Mapa de obras do Radar Capex.
- Empresa
- Eneva
- Local
- São Gonçalo do Amarante (Porto do Pecém), CE
- Valor
- R$ 6 bi
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- Píer previsto para o fim de 2028; usinas com operação comercial prevista entre o 1º semestre e meados de 2029
- Anunciado em
- 9 de junho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
O cronograma com pacotes críticos já contratados reduz o espaço para quem vende equipamento pesado, mas abre quase três anos de janela para fornecedores de obra civil e montagem no canteiro, já que o píer só fica pronto em 2028 e as usinas em 2029. A reativação do Pecém como porta de entrada de GNL, depois da saída do navio regaseificador da Petrobras em 2023, tende a gerar contratos recorrentes de manutenção e inspeção ao longo dos 15 anos de contrato regulatório das usinas, não só obra nova. A disputa judicial sobre a homologação do leilão de março, que a Aneel disse estar resolvida no dia do anúncio, é o tipo de risco que vale monitorar antes de fechar contrato novo. A concentração de Eneva, Diamante e, em negociação, Fortescue no mesmo complexo também tende a disputar os mesmos fornecedores locais de mão de obra e logística portuária, o que pode apertar prazo e preço de quem já está na região.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem eletromecânica de turbinas a gás
- Obras portuárias e estruturas metálicas do píer
- Içamento de cargas pesadas e equipamentos da FSRU
- Isolamento criogênico de tubulações de GNL
- Inspeção NR13 e ensaios não destrutivos (END)
Janela: Pedra fundamental lançada em 9 de junho de 2026, com pacotes críticos de turbogeradores já contratados; píer previsto para o fim de 2028 e usinas entre o 1º semestre e meados de 2029. Fornecedores de obra civil, montagem eletromecânica e isolamento criogênico devem acompanhar o cronograma nos próximos dois anos.
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- Eneva inicia obras para termelétrica e píer de gás no Pecém por R$ 6 bilhões, O Povo, 9 de junho de 2026
- Eneva inicia obras de R$ 6 bilhões para megahub de energia térmica no Ceará, Cenário Energia, 9 de junho de 2026
- Hub Ceará do Pecém terá usina térmica de R$ 6 bi e 1.147 MW da Eneva e Diamante, Movimento Econômico, 9 de junho de 2026
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