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Data centers · PA

Elea Data Centers anuncia data center em Belém (PA) com R$ 250 milhões

O BEL1, em parceria com a Axia Energia, abre com 7,5 megawatts e pode chegar a 100 MW; um pedido de fiscalização ao Ministério Público do Pará já questiona os impactos do projeto.

An overhead view of a city electrical substation with surrounding infrastructure.
Imagem ilustrativa. Foto: HONG SON / Pexels
Por Redação Radar CapexPublicado em · fato divulgado em 26 de junho de 20265 min de leitura

A Elea Data Centers e a Axia Energia (ex-Eletrobras) anunciaram, em 26 de junho de 2026, uma parceria para construir o BEL1, o primeiro data center voltado a inteligência artificial (IA) da Região Amazônica, em Belém, no Pará. O investimento inicial é de R$ 250 milhões, segundo reportagem do Diário do Pará, com o site entrando em operação com 7,5 megawatts (MW) de capacidade e potencial de crescer, em fases futuras, até 100 MW, de acordo com a Teletime e a Cenário Energia. A previsão de início de operação comercial divulgada no anúncio é o segundo trimestre de 2027, embora o próprio CEO da Elea tenha dito depois, em entrevista à agência eixos, que a meta é concluir a implantação apenas no fim de 2028, já que o projeto ainda está em fase de estudos.

O projeto em números

ItemValor
Investimento inicialR$ 250 milhões, segundo o Diário do Pará
Capacidade inicial7,5 MW, segundo Teletime, Cenário Energia e O Liberal
Potencial de expansãoaté 100 MW, em fases futuras, segundo as mesmas fontes
Previsão de operação (anúncio)2º trimestre de 2027, segundo Teletime, Cenário Energia, Diário do Pará e O Liberal
Previsão revista (CEO à eixos)implantação só no fim de 2028, com obra condicionada à conclusão de estudos e licenciamento
Consumo de água no resfriamentozero, segundo nota oficial da Elea citada por O Liberal e pela eixos (sistema de expansão direta, sem torres de água)

Contexto

Segundo a Teletime, o projeto começou a ser desenhado em 2024, quando Belém foi confirmada como sede da COP30, e vai ocupar um terreno da Axia próximo à Subestação Miramar, na zona portuária da capital paraense, entre o Terminal Petroquímico de Miramar e o bairro do Barreiro, conforme a agência eixos. Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea, disse à Teletime que "expandir para Belém é um movimento estratégico para ampliar a distribuição geográfica da nossa plataforma e fortalecer a infraestrutura digital do Brasil" e que o BEL1 "representa um legado da COP30 ao demonstrar a importância de desenvolver infraestrutura digital sustentável em regiões estratégicas e remotas". À eixos, Lombardi acrescentou que o objetivo "é para servir ao Norte do país, que hoje está totalmente dependendo de São Paulo" e citou a Universidade Federal do Pará e provedores de internet da região entre os possíveis beneficiários. Pelo acordo, descrito pela Cenário Energia, a Axia assina um Contrato de Compra de Energia (PPA) de longo prazo para fornecer energia 100% renovável ao site, e Ítalo Freitas, vice-presidente de Comercialização e Soluções em Energia da companhia, afirmou que "a parceria com a Elea reforça o papel da Axia como provedora de soluções integradas para seus clientes". A Elea opera hoje data centers em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Brasília, segundo a Teletime, além de desenvolver o Rio AI City, polo de data centers no Parque Olímpico; o BEL1 é o primeiro da companhia na Região Norte. Nem todo o projeto corre sem contestação: em julho de 2026, a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) pediu ao Ministério Público do Pará uma fiscalização preventiva sobre segurança hídrica, estabilidade energética e impactos socioambientais, citando estudos de que o consumo de uma instalação de 100 MW equivaleria ao de cerca de 500 mil residências, segundo O Liberal. Em nota à mesma reportagem, a Elea respondeu que o sistema de refrigeração é por expansão direta, sem uso de água, e que qualquer ampliação de capacidade "está estritamente condicionada à conclusão de estudos técnicos, processos de licenciamento e diligência socioambiental" sob fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará.

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O que a obra deve contratar

  • Obra civil de data center em clima amazônico. A construção precisa de impermeabilização e drenagem reforçadas para a alta umidade e o volume de chuva de Belém.
  • Conexão a subestação de alta tensão. O site nasce encostado à Subestação Miramar, da própria Axia, o que exige obra de interligação elétrica dedicada.
  • Climatização de precisão sem consumo de água. A Elea afirma que vai usar refrigeração por expansão direta (DX), sistema que pede equipamentos e dutos específicos, diferentes do resfriamento a água comum em data centers de outras regiões.
  • Geradores e UPS de backup. Operação crítica de IA exige redundância de energia com geradores a diesel e sistemas ininterruptos de energia, tema que a própria deputada Lívia Duarte cobrou detalhamento no ofício ao Ministério Público.
  • Estudos e licenciamento ambiental. Antes da obra em si, o projeto ainda depende de estudos técnicos e de licenciamento pela Semas-PA, abrindo janela para consultorias e levantamentos ambientais.
  • Fibra óptica e interconexão. Um data center de IA em Belém precisa de rotas de fibra redundantes, já que a cidade é apontada pela Teletime como alternativa de rota ao hub de Fortaleza (CE).

Prazos e próximos passos

QuandoO que aconteceu
26 de junho de 2026Elea e Axia anunciam a parceria e o projeto BEL1, segundo Teletime e Cenário Energia
13 de julho de 2026Deputada estadual Lívia Duarte pede fiscalização preventiva ao Ministério Público do Pará, segundo O Liberal
14 de julho de 2026Elea divulga nota respondendo sobre consumo de água e condicionantes ambientais, segundo O Liberal
Próximos mesesConclusão dos estudos técnicos e de viabilidade, segundo o CEO da Elea à agência eixos
2º trimestre de 2027 a fim de 2028Janela de operação comercial, conforme a divergência entre o anúncio original e a entrevista mais recente

O Pará ainda tem poucos data centers mapeados pelo Radar Capex, que hoje reúne mais fichas de mineração no estado, como os projetos da Mineração Rio do Norte e da Bravo Mining em novas fábricas no Pará. Mais obras do setor estão no recorte de data centers e no mapa de obras industriais em andamento.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Elea Data Centers
Local
Belém, PA
Valor
R$ 250 milhões
Fase
Anúncio
Previsão
Operação prevista para o 2º trimestre de 2027, segundo a Teletime, a Cenário Energia, o Diário do Pará e O Liberal; em entrevista mais recente à agência eixos, o CEO da Elea falou em concluir a implantação só no fim de 2028.
Anunciado em
26 de junho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O BEL1 chega sem construtora identificada em fonte aberta e ainda depende de licenciamento, o que adia a janela de contratação pesada para 2027 ou mais tarde. O diferencial do projeto é a exigência ambiental amazônica: a própria Elea admite que o licenciamento em Belém precisa ser mais rigoroso do que em polos industriais tradicionais, o que deve pautar fornecedores de climatização sem água, estudos de impacto e mitigação de ruído antes mesmo da obra civil. A disputa com o Ministério Público também é um sinal para fornecedores: negociação e due diligence socioambiental entram na frente da obra, não depois.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Obra civil de data center em clima úmido equatorial
  • Climatização de precisão por expansão direta, sem torre de água
  • Conexão e obras elétricas junto à Subestação Miramar
  • Geradores a diesel e sistemas de UPS redundantes
  • Estudos e consultoria de licenciamento ambiental (Semas-PA)
  • Infraestrutura de fibra óptica e interconexão de rede

Janela: Contratação de obra civil e elétrica só deve avançar depois da conclusão dos estudos técnicos e do licenciamento, nos próximos meses; consultoria ambiental e due diligence socioambiental já estão na janela atual.

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